Tornados, ciclones, enxurradas, secas e inundações (fenômenos que atingiram Montenegro e região) são causados pelo aquecimento global e criam condições para o surgimento de doenças endêmicas entre animais e seres humanos. Esta é a face mais terrível das variações climáticas que vêm se verificando nos últimos anos.
A região do Vale do Caí, a exemplo de todo o Sul do Brasil, sofreu nos últimos anos com enchentes e estiagens severas, além de um tornado que atingiu a localidade de Coxilha Velha, na divisa de Montenegro com Triunfo, em setembro de 2008, deixando um rastro de destruição.
Um estudo, divulgado no mês de setembro pela revista “Public Library of Science”, assegura que, devido a estes extremos, muitas doenças que antes o organismo humano tolerava podem se tornar em epidemias mortais para os animais, incluindo o homem.
Focos de cinomose canina, que vitimaram um grande número de leões no Parque Serengeti e na Cratera de Ngorongoro, na Tanzânia entre 1994 e 2001, serviram de base para as pesquisas. Segundo o estudo, esta doença havia afetado o ecossistema da região, porém não havia causado a morte dos animais.
"O estudo ilustra a forma como os fatores ecológicos podem produzir fenômenos de mortandade sem precedentes, e sugere que as infecções são a causa principal da maioria dos casos de morte em grande número que ocorrem na natureza", disse Craig Packer, professor de Ecologia, Evolução e Comportamento na Universidade de Minnesota.
AQUECIMENTO GLOBAL
O efeito estufa é um processo natural que ocorre devido ao acúmulo de gases, que formam uma barreira que impede o calor do Sol de sair da atmosfera. Esse fenômeno é o que mantém o planeta aquecido e possibilita a vida na Terra. Entretanto, quando a concentração desses gases é excessiva, mais calor fica retido na atmosfera.
Ao longo do século XX, a temperatura global aumentou em torno de 0,6ºC. A década de 90 foi considerada a mais morna e o ano de 1998 o mais quente desde que se iniciou, em 1861, o registro instrumental da temperatura. A previsão é que a temperatura global aumente em média 3º C até o final do século XXI. Com um aumento nos pólos da ordem de 7º C e inferior a 3º C na região tropical.
A partir da Revolução Industrial, o nível de CO2 (gás carbônico) - um dos gases principais do efeito estufa - aumentou 31%. Sendo o CO2 um gás que absorve radiação infravermelha, com o aumento de sua concentração a temperatura tende a subir. O CO2 aumentou em concentração de 280 ppm (partes por milhão), em 1850, a 365 ppm, em 2000. As projeções indicam concentração da ordem de 700 ppm no fim deste século.
A saúde humana poderá também ser posta em risco. É previsível um aumento de doenças como malária e cólera. Sociedades mais pobres e menos desenvolvidas seriam as mais vulneráveis a tais problemas. A habilidade das pessoas em adaptar-se às mudanças climáticas depende de fatores como riqueza, tecnologia, infra-estrutura e acesso aos recursos naturais. Além disso, as sociedades mais pobres do mundo dependem mais de recursos hídricos e agrícolas, justamente os sistemas que mais deverão sofrer os efeitos da mudança do clima.
O QUE PODE SER FEITO?
A questão mais relevante, hoje, do ponto de vista científico (e da prevenção), é descobrir e quantificar o efeito das partículas de aerossóis no clima. Parte dessas partículas resfriam a superfície, mas parte delas absorvem radiação solar e tem efeito de aquecimento.
A observação da superfície consiste de procedimentos sistemáticos e padronizados, visando à obtenção de informações qualitativas e quantitativas referentes aos parâmetros meteorológicos, capazes de caracterizar plenamente o estado instantâneo da atmosfera.
A quantidade e a confiabilidade das operações meteorológicas são propriedades que devem ser visadas pelo sistema de coleta de dados. Para isso, dois pressupostos tornam-se imperativos: a disponibilidade de recursos financeiros e a existência de pessoal técnico-operacional, quantitativa e qualitativamente adequados.
Um debate acerca do tema ocorreu no último dia 28 de setembro, em Montenegro, onde foi debatida a possível – e necessária – instalação de um radar meteorológico no Rio Grande do Sul. O diretor da empresa Atmos Móbile Radar, Fábio Fukuda, mostrou o trabalho realizado pela empresa no País e salientou a importância da confiabilidade das previsões. “Nosso equipamento pode prever, com três horas de antecedência, a intensidade da chuva que vai atingir determinada região, numa área restrita a 500 metros de raio, o que permite aprimorar o trabalho de assistência às vítimas”, explicou.
O ambientalista Andre Venâncio ressalta que não no estado nenhuma estação climatológica para este tipo de previsão. “O monitoramento não evita os fenômenos naturais, mas nos permite tomar outras providências. Sabendo as características de cada região, pode-se construir moradias mais sólidas, em locais mais apropriados, disciplinar o uso do solo, desenvolver tecnologias de prevenção... Não precisaremos esperar a enchente bater à nossa porta para tomar as providências. Com certeza o monitoramento permite diminuir muito os prejuízos”, afirma.
No fim do encontro, foi elaborada uma carta de intenção que será entregue ao Governo do Estado. No documento, serão apresentadas as necessidades de implantação desses equipamentos no Rio Grande do Sul.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
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